Tensão Diplomática

Lula diz que assessor de Trump não entrará no Brasil enquanto vistos de Alexandre Padilha não forem liberados

Por Suzete Nocrato - Em 13/03/2026 às 1:13 PM

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça proibição de entrada no Brasil de Darren Beattie. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (13/3), durante agenda oficial no Rio de Janeiro, que Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, não poderá entrar no Brasil enquanto o governo americano não liberar os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de sua família.

A declaração ocorreu durante evento no Hospital do Andaraí, ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes, em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

Ao comentar o episódio, Lula mencionou diretamente o assessor americano e disse que ele não será autorizado a entrar no país nas atuais circunstâncias. O presidente afirmou que “aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro” não poderá viajar ao Brasil enquanto persistirem as restrições ao ministro brasileiro.

Em seguida, reforçou a posição do governo: “Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele, de 10 anos”.

Controvérsia diplomática

A controvérsia tem origem em um episódio ocorrido em setembro do ano passado, quando Alexandre Padilha desistiu de viajar a Nova York devido às limitações impostas pelo governo dos Estados Unidos para sua circulação no país. O ministro integraria a delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU, acompanhando o presidente Lula. Embora tenha recebido autorização para entrar no território americano, o visto concedido estabelecia restrições à sua mobilidade.

De acordo com as regras impostas pelas autoridades americanas, o ministro da Saúde poderia circular apenas em uma área equivalente a cinco quarteirões a partir do local onde estivesse hospedado, além de seguir rotas específicas entre hotel, sede da ONU e representações diplomáticas brasileiras ligadas ao organismo internacional. O ministro estava com o visto vencido desde 2024 e havia solicitado a renovação do documento em 18 de agosto do ano passado.

A polêmica ganhou novos desdobramentos após a tentativa de visita de Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O assessor, crítico do governo Lula e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, havia articulado agenda no Brasil com o senador Flávio Bolsonaro e solicitado autorização ao STF para visitar o ex-presidente.

Inicialmente, Moraes autorizou o encontro, mas voltou atrás após manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que informou que o visto concedido ao assessor americano previa apenas sua participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, em São Paulo. Ao reconsiderar a decisão, o ministro afirmou: “Ressalte-se que, somente após a solicitação de informações ao Ministro das Relações Exteriores, a Embaixada dos Estados Unidos da América solicitou a realização de novos compromissos diplomáticos pelo Darren Beattie em Brasília, que seriam realizados, se eventualmente confirmados, no dia 17 de março”.

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