Cenário político

Janela partidária movimenta Congresso e intensifica disputa por fundo eleitoral e tempo de TV

Por Suzete Nocrato - Em 16/03/2026 às 10:04 AM

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Bancadas partidárias serão reorganizadas no Congresso até 3 de abril. Foto: Divulgação

Com a abertura da janela de migração partidária, válida até 3 de abril, partidos intensificaram movimentações estratégicas mirando as eleições de outubro e a reorganização de suas bancadas no Congresso Nacional. Durante esse período, deputados podem trocar de legenda sem risco de perda de mandato, o que amplia a disputa entre siglas por nomes competitivos.

Nos bastidores, dirigentes oferecem estrutura de campanha, organização de nominatas eleitorais e interlocução com lideranças regionais para atrair parlamentares. Nesse contexto, o PL aposta no peso de seu fundo eleitoral e do tempo de televisão para ampliar presença política e avançar sobre quadros do União Brasil.

Entre os atrativos, o componente financeiro tem papel central. Para 2026, estão previstos cerca de R$ 4,9 bilhões no fundo eleitoral, sendo que projeções indicam que o PL deve concentrar aproximadamente R$ 887 milhões, seguido por PT (R$ 620 milhões), União Brasil (R$ 537 milhões) e PSD (R$ 420 milhões). A direção do PL trabalha com a expectativa de receber até 15 novos parlamentares. Na abertura da janela, já foram formalizadas as filiações de Magda Mofatto (GO), Nicoletti (RR), Sargento Fahur (PR) e Reinhold Stephanes (PR). O deputado Rodrigo Valadares (SE) também anunciou a saída do União Brasil rumo ao PL, mirando uma candidatura ao Senado.

Apesar do movimento de expansão, o partido também enfrenta perdas. O deputado Antonio Carlos Rodrigues (SP) anunciou que deixará o PL para se filiar ao Podemos, afirmando aguardar decisão judicial para oficializar a mudança fora do período permitido. Em Goiás, o deputado Professor Alcides (PL) confirmou retorno ao PSDB.

Troca de partidos

Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), revela que desde o início da atual legislatura, em fevereiro de 2023, 48 deputados federais já trocaram de partido na Câmara. Nesse período, o PL registrou o maior saldo negativo, com 12 parlamentares a menos, resultado de 16 desfiliações e quatro filiações, enquanto Republicanos, PSD e PP foram as legendas que mais cresceram.

As mudanças também refletem disputas internas no chamado Centrão, especialmente dentro do União Brasil. Divergências regionais e disputas por diretórios estaduais têm impulsionado novas negociações. Em Pernambuco, aliados mencionam tensão entre o deputado Mendonça Filho e a direção nacional liderada por Antonio Rueda. No Paraná, divergências envolvendo o senador Sergio Moro geraram atritos na bancada estadual. Já o deputado Pauderney Avelino (AM) confirmou que deixará a legenda após conflitos locais. Mesmo assim, a cúpula do partido rejeita a narrativa de esvaziamento e sustenta que a bancada federal deve permanecer próxima do tamanho atual, com possíveis compensações por novas filiações.

Outros partidos também acompanham o cenário com atenção. A Rede, que integra federação com o PSOL, avalia manter a aliança após a rejeição do PSOL a uma união com o PT. Segundo o porta-voz nacional Paulo Lamac, a sigla busca consolidar identidade própria.

Vislumbramos a Rede como um partido que reúne as condições para não depender de federações num futuro breve, se mantiver a coerência com seus princípios”, afirma. Já o PDT, com 16 deputados, pretende ampliar sua presença no Congresso e projeta conquistar entre 25 e 35 cadeiras, conforme declarou o presidente nacional Carlos Lupi disse que “a cada pleito, irá diminuir o número de partidos que passam da cláusula. Nosso desafio é continuar tendo a legitimidade do voto”.

O Novo, atualmente com cinco deputados, também planeja expandir sua bancada e pretende multiplicar em até quatro vezes o número de representantes na Câmara.

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