Votação Expressiva

Base aliada prevalece e leva Odair Cunha ao TCU após articulação na Câmara

Por Julia Fernandes Fraga - Em 15/04/2026 às 11:37 AM

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A escolha foi um compromisso firmado com Hugo Motta. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Com 303 votos, o deputado Odair Cunha (PT-MG) foi escolhido pela Câmara dos Deputados para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), em uma eleição que expôs a força dos acordos internos da Casa e a dificuldade da oposição em unificar uma candidatura competitiva.

A indicação, que ainda será analisada pelo Senado Federal, consolida um compromisso político firmado ainda em 2025, no contexto da eleição do presidente, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Pelo arranjo, a vaga aberta com a aposentadoria de Aroldo Cedraz ficaria sob indicação do PT.

Até mesmo a festa de celebração do resultado confirma o cenário. A casa do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ), localizada ao lado da residência oficial do presidente Hugo Motta, no Lago Sul, em Brasília, foi o cenário da comemoração.

Em imagens obtidas pelo R7 Planalto, aparecem, além de Odair, Luizinho e Motta, os deputados Pedro Uczai (PT-SC), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), André Fufuca (PP-MA), Camila Jara (PT-MS), Rubens Pereira Júnior (PT-MA), Augusto Coutinho (Republicanos-PE) e Agnaldo Ribeiro (PP-PB).

Base consolidada

A votação expressiva reflete a construção de uma ampla convergência em torno do nome de Cunha, reunindo apoio de partidos como MDB, PT, PSD, Republicanos e outras siglas da base governista.

Para ser eleito, eram necessários 257 votos — patamar superado com folga, indicando coesão política em torno do acordo previamente estabelecido.

Declaração

Após a vitória, Odair Cunha destacou o peso institucional da indicação e o caráter coletivo da construção política:

“Hoje, vivo um dos momentos mais importantes da minha vida: fui escolhido por 303 deputados para integrar, como ministro, o Tribunal de Contas da União. Mais que uma honraria, é também uma grande responsabilidade. […] Com a aprovação do Senado, atuarei no TCU como sempre me comportei em todos os aspectos da minha vida: com palavra e compromisso. Respeitando sempre a Constituição, o interesse público e o país”. 

Oposição fragmentada

Nos bastidores, a oposição ensaiou uma articulação para barrar o nome governista. O senador Flávio Bolsonaro (PL) atuou diretamente na tentativa de unificar candidaturas, inicialmente em torno de Soraya Santos (PL-RJ).

A estratégia, no entanto, não prosperou. Soraya desistiu durante o processo, e o apoio foi redirecionado para Elmar Nascimento (União-BA), que terminou em segundo lugar, com 96 votos. 

Outros candidatos mantiveram suas postulações, evidenciando a fragmentação do bloco oposicionista:

Danilo Forte (PP-CE) — 27 votos;
Hugo Leal (PSD-RJ) — 20 votos;
Gilson Daniel (Podemos-ES) — 6 votos.

Peso institucional

A vaga no TCU é considerada estratégica. O tribunal atua como órgão auxiliar do Congresso Nacional, responsável por fiscalizar a execução orçamentária e financeira da União. Com nove ministros, a Corte tem papel central no controle de contas públicas e na supervisão de políticas governamentais, o que amplia o peso político da indicação.

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