Comércio exterior
Mercosul-UE pode eliminar US$ 709 milhões em tarifas do agro brasileiro, aponta Insper
Por Redação - Em 30/04/2026 às 4:01 PM

Sob perspectiva econômica, o acordo representa menos uma revolução imediata para o agro brasileiro e mais uma reconfiguração estratégica de acesso comercial
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve retirar imediatamente US$ 709 milhões em tarifas sobre exportações do agronegócio brasileiro ao bloco europeu, segundo levantamento do Insper Agro Global. O valor representa cerca de 3% das vendas totais do agro brasileiro para a União Europeia com base nos embarques de 2025, indicando impacto inicial concentrado, mas estratégico, sobre segmentos específicos mais sensíveis a preço.
Embora o efeito agregado imediato seja limitado, o acordo abre vantagem competitiva relevante para produtos em que o mercado europeu concentra parcela importante da demanda brasileira. Entre os setores com maior potencial estão frutas e nozes, que direcionam aproximadamente 50% de suas exportações para a União Europeia, além de lã (97%), pimentas e especiarias em pó (92%), batata-doce (50%), óleo de milho (49%), vinhos (33%) e couros (17%).
O tratado, que começa sua fase inicial com tarifa zero para mais de 80% das exportações brasileiras ao bloco e alcança mais de 5 mil produtos, cria uma das maiores áreas comerciais do mundo e amplia o acesso a um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores. Ainda assim, itens de peso para a pauta agroexportadora brasileira, como carnes bovina, suína, de frango, açúcar e mel, permanecem submetidos a cotas tarifárias e salvaguardas europeias, limitando ganhos imediatos mais amplos.
Segundo análise do pesquisador Marcos Jank Capuzzi, do Insper, o principal benefício está na redução do custo de entrada para cadeias onde competitividade de preço é decisiva, favorecendo expansão mais rápida em nichos já competitivos. Ao mesmo tempo, o acordo preserva mecanismos de proteção para produtores europeus, incluindo investigações automáticas em casos de aumento de volume combinado com queda de preços.
Sob perspectiva econômica, o acordo representa menos uma revolução imediata para o agro brasileiro e mais uma reconfiguração estratégica de acesso comercial. O impacto financeiro inicial pode parecer restrito diante do tamanho da pauta exportadora, mas tende a fortalecer participação brasileira em mercados de maior valor agregado, diversificar destinos e reduzir barreiras em segmentos onde competitividade e escala podem se traduzir em ganhos crescentes no médio e longo prazo.
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