SUCESSÃO CULTURAL
Flávia Almeida assume presidência do MASP após expansão do complexo na Avenida Paulista
Por Jussara Beserra - Em 12/08/2026 às 12:02 AM

Flávia Almeida assume a presidência do MASP em setembro – Fotos: Divulgação
Com um novo edifício incorporado à paisagem da Avenida Paulista e uma estrutura expositiva 66% maior, o MASP entra agora em outra transformação: a de seu comando. Em setembro, Flávia Almeida assume a presidência do museu, sucedendo Heitor Martins, que ocupou o posto durante 12 anos e passará à presidência do conselho. A mudança coloca à frente da instituição uma gestora que já participa de suas decisões e terá como prioridades o acervo, a transformação digital, o acesso do público e o projeto artístico e cultural.
A escolha encerra um processo sucessório de dois anos, que avaliou mais de 50 perfis internos e externos. Flávia é diretora estatutária do MASP há três anos e, em 2025, assumiu a vice-presidência do comitê executivo, posição que a aproximou da operação e dos projetos que agora estarão sob sua condução.
Sua trajetória cruza gestão empresarial e artes visuais. Flávia foi diretora da Fundação Bienal de São Paulo, onde permanece no conselho, e presidiu o conselho deliberativo do Instituto Tomie Ohtake de 2021 a 2023. No ambiente corporativo, iniciou a carreira na McKinsey & Company, passou pela Morro Vermelho e permaneceu 12 anos na Península, holding de investimentos de Abilio Diniz. Atualmente, integra conselhos como os de Ultrapar, Iguatemi, Rede Américas e Natura&Co.

MASP, na Avenida Paulista, passa por mudança de comando após 12 anos
A sucessão ocorre depois de uma transformação significativa na estrutura do museu. Quando Martins assumiu a presidência, em 2014, o MASP acumulava cerca de R$ 75 milhões em dívidas. Nos 12 anos seguintes, a instituição levantou aproximadamente R$ 1,5 bilhão em doações, constituiu uma reserva de caixa de R$ 35 milhões e captou R$ 275 milhões para a construção de seu novo prédio.
Inaugurado em 2025, o Edifício Pietro Maria Bardi acrescentou 14 andares ao complexo e aumentou em 66% a área destinada a exposições. A expansão também reorganizou simbolicamente a presença do museu na Paulista: o prédio projetado por Lina Bo Bardi, aberto em 1968, passou a levar o nome da arquiteta, enquanto a nova construção homenageia Pietro Maria Bardi, primeiro diretor artístico do MASP.
Com a expansão física concluída, os desafios da próxima gestão passam pela maneira como essa estrutura será ocupada e aproximada do público. Expansão do acervo, digitalização e ampliação do acesso estão na agenda de Flávia. O último ponto ganha peso diante do preço atual do ingresso, de R$ 85 na modalidade inteira, além de eventuais taxas de reserva online, e da oferta de um dia semanal de gratuidade.
A mudança também reorganiza o conselho. Heitor Martins assume sua presidência, enquanto Marcelo Hallack, cofundador da Prisma Capital e ligado ao MASP desde 2016, será vice-presidente. Alfredo Setubal, que presidiu o conselho durante dez anos, receberá o título de presidente de honra.
Flávia assume, portanto, uma instituição que já atravessou a recuperação financeira e ganhou uma nova escala física. A próxima etapa será medida pela capacidade de transformar essa estrutura em produção cultural, acesso e relevância artística, mantendo o MASP no centro das discussões sobre arte e museus no Brasil.
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