MISTÉRIO NO MEDITERRÂNEO
Investigação aponta que cargueiro russo afundado levava reatores nucleares destinados à Coreia do Norte
Por REDAÇÃO - Em 12/05/2026 às 11:16 AM

Embarcação afundou após uma sequência de explosões no Mediterrâneo e passou a ser alvo de investigações envolvendo Rússia, Espanha e serviços de inteligência ocidentais — Foto: Portuguese Air Force
O afundamento do cargueiro russo Ursa Major no Mar Mediterrâneo ganhou contornos de crise geopolítica internacional após uma investigação da CNN apontar que a embarcação poderia estar transportando componentes de reatores nucleares destinados à Coreia do Norte. O navio afundou em dezembro de 2024 após uma sequência de explosões em circunstâncias consideradas misteriosas pelas autoridades espanholas.
Segundo a reportagem da emissora americana, o cargueiro afundou a cerca de 100 quilômetros da costa da Espanha depois de sofrer três explosões próximas à casa de máquinas, deixando dois tripulantes mortos. O episódio passou a ser tratado como um possível caso de sabotagem internacional envolvendo Rússia, OTAN e o programa nuclear norte-coreano.
Carga sensível
De acordo com documentos analisados pela investigação espanhola e obtidos pela CNN, o capitão do navio revelou às autoridades que o Ursa Major carregava componentes de dois reatores nucleares semelhantes aos utilizados em submarinos russos. Inicialmente, a carga havia sido registrada apenas como “grandes tampas metálicas” no manifesto marítimo.
O cargueiro havia partido de São Petersburgo oficialmente com destino a Vladivostok, no extremo leste russo. No entanto, investigadores consideram improvável que uma carga desse tipo fosse enviada por uma rota marítima tão longa apenas para transporte interno, já que a Rússia possui ampla malha ferroviária para esse tipo de operação.
A suspeita levantada pela investigação é de que os equipamentos seriam posteriormente desviados para o porto norte-coreano de Rason, fortalecendo a cooperação militar entre Moscou e Pyongyang.
Explosões e operação militar
A sequência de eventos chamou atenção de serviços de inteligência ocidentais. Segundo a CNN, o navio começou a apresentar comportamento irregular ainda em águas espanholas, reduzindo drasticamente a velocidade antes de emitir pedido de socorro. Pouco depois, três explosões atingiram a lateral da embarcação.
Após o resgate dos sobreviventes por equipes espanholas, um navio militar russo que escoltava o cargueiro teria isolado a área e ordenado que embarcações civis mantivessem distância. Horas depois, novos registros sísmicos detectaram quatro explosões adicionais nas proximidades do navio já avariado.
A investigação espanhola avalia a possibilidade de o casco ter sido atingido por um torpedo supercavitante — tecnologia militar de alta velocidade usada por poucas potências globais. Outra hipótese considerada por especialistas consultados pela CNN é a utilização de minas magnéticas instaladas diretamente no casco da embarcação.
Interesse dos Estados Unidos
O caso também despertou interesse das Forças Armadas americanas. Dados de voo analisados pela CNN mostram que aeronaves militares WC135-R — conhecidas como “caçadoras nucleares” por detectarem vestígios radioativos — sobrevoaram duas vezes a região onde o Ursa Major afundou.
Essas aeronaves são normalmente utilizadas em missões de monitoramento nuclear envolvendo Rússia, Irã e testes atômicos. Até o momento, não há confirmação pública sobre a existência de contaminação radioativa no Mediterrâneo.
Aliança Moscou-Pyongyang
A suspeita de transferência tecnológica ocorre em meio ao aprofundamento das relações militares entre Rússia e Coreia do Norte desde o início da guerra na Ucrânia. A investigação cita que Pyongyang vem pressionando Moscou por acesso a tecnologia nuclear avançada, especialmente após o envio de milhares de soldados norte-coreanos para auxiliar tropas russas em operações militares.
Especialistas ouvidos pela CNN classificaram uma eventual transferência de tecnologia nuclear submarina como um movimento extremamente sensível do ponto de vista estratégico e militar, especialmente para países como Coreia do Sul, Japão e aliados da OTAN.
Até agora, nem o governo russo, nem autoridades militares ocidentais apresentaram explicações definitivas sobre o afundamento do cargueiro. Os destroços do Ursa Major permanecem a cerca de 2,5 mil metros de profundidade no Mediterrâneo, levando consigo uma das investigações mais enigmáticas envolvendo tecnologia nuclear desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
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