Aviação global
Lucro das companhias aéreas deve cair pela metade em 2026 com alta do combustível
Por Redação - Em 08/06/2026 às 12:07 AM

A nova estimativa aponta para lucro líquido de US$ 23 bilhões neste ano, ante os US$ 45 bilhões registrados em 2025 FOTO: Magnific
As companhias aéreas de todo o mundo devem enfrentar um cenário mais desafiador em 2026. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) reduziu quase pela metade sua projeção de lucro para o setor, citando principalmente a disparada dos preços dos combustíveis de aviação e os impactos do conflito no Oriente Médio sobre as operações globais.
A nova estimativa aponta para lucro líquido de US$ 23 bilhões neste ano, ante os US$ 45 bilhões registrados em 2025. A previsão anterior da entidade indicava resultado de aproximadamente US$ 41 bilhões para 2026, o que evidencia uma deterioração significativa das perspectivas do setor ao longo dos últimos meses.
Segundo o diretor-geral da Iata, Willie Walsh, a principal pressão vem da alta de cerca de 70% no preço do combustível de aviação. Embora parte desse aumento esteja sendo compensada por reajustes tarifários e ganhos de eficiência operacional, as medidas não são suficientes para preservar os níveis de rentabilidade observados no ano passado.
A entidade estima que os gastos globais das companhias com combustível alcancem cerca de US$ 350 bilhões, tornando ainda mais estreitas as margens de lucro de um setor historicamente sensível a oscilações de custos. A margem líquida projetada para 2026 é de apenas 2%, contra 4,2% registrados em 2025. O lucro médio por passageiro também deve recuar pela metade, passando de US$ 9,10 para US$ 4,50.
Apesar da piora nos resultados financeiros, a demanda por viagens aéreas continua em expansão. A Iata projeta que o número de passageiros transportados alcance 5,1 bilhões em 2026, crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior. A taxa média de ocupação das aeronaves também deve atingir nível recorde, chegando a 84% dos assentos disponíveis.
Na América Latina, a desaceleração tende a ser ainda mais intensa. A expectativa é que o lucro das companhias da região fique em torno de US$ 1,2 bilhão, uma queda próxima de 37% na comparação com 2025. Segundo a associação, empresas latino-americanas operam com menor flexibilidade financeira e custos de financiamento mais elevados, fatores que reduzem sua capacidade de absorver choques econômicos e operacionais.
Além do combustível mais caro, o setor enfrenta desafios relacionados ao fechamento de espaços aéreos em áreas de conflito, ao aumento dos custos operacionais e aos atrasos na entrega de aeronaves por fabricantes, o que obriga muitas empresas a manterem aviões mais antigos em operação por mais tempo.
Mesmo diante desse cenário, a Iata avalia que a maior parte das regiões continuará registrando resultados positivos em 2026, embora em patamares significativamente inferiores aos observados no ano anterior.
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