“Não sei se estou preparado, mas estou entusiasmado em levar essa bandeira à vitória.”
No mesmo ato, a federação homologou 23 candidaturas à Câmara dos Deputados e 45 à Assembleia Legislativa. Eleito governador do Ceará em 1990 — cargo que ocupou de 1991 a 1994, quando saiu para ser ministro da Fazenda de Itamar Franco —, ex-prefeito de Fortaleza, ex-ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula e quatro vezes candidato à Presidência, Ciro retorna ao Executivo estadual mais de três décadas depois. A candidatura estabelece o confronto direto com o governador Elmano de Freitas (PT), que buscará a reeleição.
Irmãos Gomes em lados opostos
A disputa traz um elemento inédito na política cearense: pela primeira vez desde que despontaram, no fim dos anos 1980, Ciro e Cid Gomes estarão em chapas adversárias. Enquanto Ciro encabeça a oposição, Cid disputará a reeleição ao Senado na chapa governista de Elmano, alinhado ao PT — desdobramento do rompimento entre os dois após a eleição de 2022, quando a aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará, costurada pelos próprios irmãos, chegou ao fim. Parte do capital político construído pela mesma família passa, assim, a jogar dos dois lados.
Novo desenho político
A chapa concorrerá sob o nome de Coligação “Unir para Mudar”, que reúne, além da Federação PSDB-Cidadania, os partidos PL, Avante, PRTB e Democracia Cristã, mais a federação União Progressista (União Brasil e Progressistas). A composição majoritária deve ser selada na convenção da União Progressista neste domingo (26): o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio como vice na chapa de Ciro, e o ex-deputado federal Capitão Wagner como candidato ao Senado. Os dois nomes reforçam o enredo da família dividida — Roberto Cláudio foi o candidato cuja escolha, defendida por Ciro em 2022, ajudou a selar o racha com Cid, e Wagner é adversário histórico do senador. Do outro lado, o grupo governista chega com a força da máquina estadual e a aposta na continuidade, tendo Cid como um dos fiadores da chapa.
O que muda para o Ceará
A oficialização reposiciona o debate em torno dos temas que devem dominar os próximos meses: desenvolvimento econômico, segurança pública, infraestrutura, equilíbrio fiscal e geração de empregos. Ciro deve apresentar uma plataforma ancorada em gestão pública e desenvolvimento regional; o campo governista defenderá os resultados da atual administração.
A convenção em resumo
- 20 de julho — convenção da Federação PSDB-Cidadania, no primeiro dia do prazo eleitoral.
- 26 de julho — convenção da União Progressista, que deve oficializar a vice (Roberto Cláudio) e o Senado (Capitão Wagner).
- 1º de agosto — lançamento público da campanha, no Marina Park Hotel, em Fortaleza.
- Unir para Mudar — coligação com PSDB-Cidadania, PL, Avante, PRTB, DC e União Progressista.
- 23 e 45 — candidaturas à Câmara e à Assembleia.
- Elmano de Freitas (PT) — governador que buscará a reeleição no campo adversário.
Portal IN | Análise
A oficialização de Ciro não é um trâmite de calendário: é a consolidação de um dos protagonistas históricos da política cearense numa disputa que se desenha competitiva. O dado que organiza o cenário é a divisão da própria família Gomes — Ciro pela oposição, Cid sustentando a chapa governista —, sem precedente em quatro décadas, e que retira do pleito a leitura simples de situação contra oposição. A chapa que se desenha em torno de Ciro, com Roberto Cláudio e Capitão Wagner, acentua esse traço ao reunir adversários diretos do senador.
Para o eleitor, a convenção marca a virada da fase das intenções para a das definições. Daqui às urnas, o que estava restrito ao bastidor passa a se medir em propostas e alianças. O Portal IN acompanhará a convenção de domingo, o lançamento de 1º de agosto e a definição das chapas adversárias com o mesmo peso.


























