Comércio Exterior
Brasil já utilizou 80% da cota de carne bovina para a China e setor monitora risco de sobretaxa
Por Redação - Em 22/07/2026 às 11:08 AM

A cota destinada ao Brasil neste ano é de 1,106 milhão de toneladas FOTO: Agência Brasil
As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram 80% da cota anual estabelecida para 2026, segundo comunicado divulgado pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC). O avanço aproxima o Brasil do limite que, uma vez alcançado, acionará uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação aplicada pelo mercado chinês.
A cota destinada ao Brasil neste ano é de 1,106 milhão de toneladas. De acordo com o governo chinês, a cobrança adicional passará a valer a partir do terceiro dia após o esgotamento do volume autorizado.
O mecanismo faz parte das medidas de salvaguarda adotadas pela China no início de 2026 para proteger sua produção doméstica. Caso a cota seja integralmente utilizada, a carne bovina brasileira ficará sujeita à sobretaxa de 55%, além da tarifa de importação já existente e dos tributos internos chineses, cenário que, segundo o setor exportador, compromete a competitividade das vendas ao principal destino da proteína brasileira.
O ritmo de utilização da cota chama atenção porque o limite estabelecido para este ano é cerca de 35% inferior ao volume exportado pelo Brasil em 2025, quando os embarques para a China alcançaram 1,7 milhão de toneladas.
A marca de 80% era considerada um ponto de atenção pela indústria, que passou a reavaliar o envio de novas cargas para evitar que produtos cheguem ao país asiático após o encerramento da cota. Exportadores estimam que, considerando mercadorias em trânsito, cargas aguardando desembaraço aduaneiro e volumes ainda em processamento pelas autoridades chinesas, o teto possa já ter sido ultrapassado neste mês.
Enquanto acompanha a evolução das importações chinesas, parte da indústria frigorífica brasileira também ajusta seu nível de produção diante da demanda mais moderada. Empresas do setor vêm adotando medidas como férias coletivas, redução de turnos e programas temporários de suspensão de contratos de trabalho (layoff) para adequar a operação ao novo ambiente de mercado.
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