SAÚDE PRIVADA
Hapvida vê lucro cair 95,8% no 2º trimestre e acelera plano para recuperar margens
Por Redação - Em 13/08/2026 às 1:57 PM

No acumulado do ano, o lucro ajustado alcançou R$ 256,5 milhões, retração de 64,2%, apesar do crescimento de 4,6% da receita, que chegou a R$ 15,87 bilhões
A Hapvida encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Diante da pressão sobre os resultados, a operadora intensificou medidas para reduzir custos, recuperar margens e conter o avanço do endividamento.
A receita líquida avançou 3,9%, para R$ 7,97 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 44,3%, para R$ 504,4 milhões. No acumulado do ano, o lucro ajustado alcançou R$ 256,5 milhões, retração de 64,2%, apesar do crescimento de 4,6% da receita, que chegou a R$ 15,87 bilhões.
A dívida líquida terminou junho em R$ 5,4 bilhões, 34,4% acima do registrado um ano antes. A alavancagem subiu para 1,61 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda.
Custos e rentabilidade
Sob nova administração, a Hapvida colocou em andamento um plano de transformação voltado à geração de caixa, recuperação das margens e desalavancagem. Segundo o CEO Lucas Adibe, a estratégia combina medidas imediatas com mudanças estruturais para tornar 2027 mais previsível.
Entre as ações está uma revisão da rede própria. A companhia pretende reduzir mais de 30 unidades, entre fechamentos e cancelamento ou revisão de novas aberturas, após avaliar indicadores de utilização e capilaridade. Centenas de leitos ociosos também foram racionalizados nos últimos 30 dias.
A operadora ainda revisa contratos com prestadores e fornecedores. Na área administrativa, estão sendo renegociados contratos que representam mais de R$ 4 bilhões em despesas anuais. Em São Paulo, aproximadamente 40% do custo cirúrgico já passou para um modelo de procedimentos empacotados, estratégia que deverá avançar para Rio de Janeiro e interior paulista.
Estratégia comercial
Na busca por receitas, a empresa revisou produtos, preços, canais de venda e relacionamento com corretores. As adições líquidas de beneficiários estão positivas há cinco meses na região metropolitana de São Paulo e há dois meses no Rio de Janeiro, segundo a companhia.
Em agosto, a Hapvida também retomou a Notredame como marca premium, inicialmente nos mercados paulista e fluminense. A estratégia comercial deverá ser ampliada para Minas Gerais, Sul e interior de São Paulo, além do segmento corporativo.
Outra frente é a revisão da rentabilidade da carteira. Contratos deficitários poderão ser renegociados ou encerrados, respeitando as condições contratuais e a legislação.
A companhia também reforçou o combate a fraudes e desperdícios com ferramentas de inteligência artificial, análise de dados e estatística. A expectativa é que parte das medidas adotadas, incluindo mudanças nos prazos de pagamento, comece a produzir efeitos sobre o capital de giro já no terceiro trimestre.
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