Mobilidade sustentável
Toyota terá R$ 123,6 milhões do BNDES para avançar em híbridos flex no Brasil
Por Redação - Em 19/08/2026 às 1:54 PM

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A estratégia da Toyota de combinar eletrificação e biocombustíveis no mercado brasileiro ganhará uma nova estrutura de pesquisa no interior de São Paulo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 123,6 milhões em financiamento para a montadora implantar um Centro de Desenvolvimento de Tecnologias para Biocombustíveis em Sorocaba.
Os recursos serão disponibilizados por meio do BNDES Mais Inovação e direcionados à ampliação das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Toyota no País, especialmente em tecnologias para motores híbridos flex. O projeto foi selecionado em edital conjunto do banco com a Finep, lançado em 2025 para estimular a instalação e expansão de centros de pesquisa e desenvolvimento.
Mais do que financiar uma nova instalação, o investimento coloca a engenharia brasileira em posição relevante dentro da estratégia tecnológica da montadora. O centro deverá reunir atividades de pesquisa, calibração, validação, testes funcionais e desenvolvimento de soluções embarcadas.
O projeto contempla a aquisição de equipamentos, a construção de um laboratório e a implantação de uma pista de testes dedicada às atividades de desenvolvimento. A estrutura permitirá realizar simulações e análises relacionadas à eficiência energética, às emissões e à evolução dos sistemas híbridos flex.
A escolha desse caminho tecnológico acompanha uma característica particular do mercado brasileiro. Enquanto outros países concentram a descarbonização dos automóveis na eletrificação, o Brasil dispõe de uma cadeia consolidada de biocombustíveis e de décadas de experiência com motores flex.
É justamente nessa combinação que a Toyota vem estruturando parte de sua estratégia local. Para a companhia, o novo centro reforça a abordagem conhecida como multi-pathway, que considera diferentes tecnologias para reduzir as emissões dos veículos, incluindo a associação entre motores elétricos e etanol.
Engenharia brasileira ganha espaço
O projeto também amplia a participação das equipes brasileiras no desenvolvimento tecnológico da companhia. Segundo o presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, o investimento demonstra a confiança da montadora na capacidade da engenharia instalada no País.
Para o BNDES, outro efeito esperado está na cadeia produtiva. O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, destacou que o projeto combina a introdução de tecnologias de baixo carbono na indústria automotiva com o fortalecimento de fornecedores locais e a aquisição de insumos produzidos no Brasil.
A nova estrutura em Sorocaba, portanto, acrescenta uma dimensão estratégica à disputa pela mobilidade de baixo carbono. Ao aproximar eletrificação, etanol e desenvolvimento local, o investimento reforça a tentativa de transformar uma vantagem brasileira — a disponibilidade de biocombustíveis em escala — em plataforma para uma nova geração de veículos.
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