MERCADO EM TRANSIÇÃO
Bolsa vira o jogo na semana, dólar recua a R$ 5,14 e eleição ganha peso no mercado
Por Redação - Em 22/08/2026 às 11:22 PM

O Ibovespa encerrou a sexta-feira com a terceira valorização consecutiva e encontrou suporte principalmente em empresas de grande participação no índice
O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana em direção bem diferente daquela observada nos primeiros dias. Depois de uma sequência de perdas que elevou a cautela dos investidores, o Ibovespa recuperou parte do terreno, enquanto o dólar voltou para a faixa de R$ 5,14. A mudança ocorreu em meio a uma combinação de melhora no ambiente externo, desempenho de ações de grande peso e crescente atenção à eleição presidencial.
Na sexta-feira (21), o principal índice da B3 avançou 1,84%, aos 171 mil pontos, enquanto a moeda norte-americana recuou cerca de 1% e terminou cotada a R$ 5,14. O resultado ganha dimensão quando comparado ao ponto de partida da semana. Na segunda-feira (17), o mercado ainda carregava uma sequência de nove quedas consecutivas do Ibovespa, que havia perdido mais de 7% nesse intervalo. O dólar, por sua vez, chegou a R$ 5,25, maior nível desde março.
A mudança de direção ocorreu gradualmente. O Ibovespa encerrou a sexta-feira com a terceira valorização consecutiva e encontrou suporte principalmente em empresas de grande participação no índice.
Petrobras foi um dos destaques, beneficiada pelo comportamento do petróleo e por notícias relacionadas aos projetos de exploração da companhia. Vale também recebeu impulso da valorização do minério de ferro.
No câmbio, a melhora da percepção internacional de risco contribuiu para retirar pressão sobre o real. A movimentação dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e as expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve permaneceram entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
A recuperação, entretanto, não apaga as perdas recentes. Na semana anterior, o Ibovespa havia acumulado queda de 3,23%, enquanto agosto registrava forte retirada de capital estrangeiro da B3.
Eleição entra definitivamente no radar
Se o exterior ajudou a melhorar o humor na reta final da semana, o cenário doméstico adicionou uma nova fonte de volatilidade. Com o avanço da campanha eleitoral, pesquisas de intenção de voto passaram a ocupar espaço cada vez maior nas mesas de operação.
Na sexta-feira, o mercado aguardava uma nova rodada do Datafolha enquanto acompanhava simultaneamente os movimentos internacionais. O levantamento divulgado posteriormente mostrou uma disputa presidencial competitiva, reforçando a perspectiva de que novas pesquisas possam continuar influenciando as expectativas dos investidores até outubro.
A importância desses levantamentos para o mercado não está apenas em quem aparece numericamente à frente. Investidores tentam antecipar possíveis cenários para política fiscal, dívida pública, inflação, juros, reformas e ambiente de negócios a partir de 2027.
Quanto maior a diferença entre uma nova informação eleitoral e aquilo que já estava incorporado aos preços dos ativos, maior pode ser o ajuste das posições. Analistas de mercado já apontam que uma disputa indefinida tende a elevar a sensibilidade do dólar e dos índices acionários às pesquisas e notícias políticas.
Estrangeiro continua sendo peça-chave
Outro elemento decisivo é o comportamento do capital internacional. Apesar da recuperação dos últimos pregões, agosto ainda registra uma retirada expressiva de recursos da Bolsa brasileira.
Até sexta-feira, a saída de investidores estrangeiros no mês estava próxima de R$ 22 bilhões.
Esse fluxo ajuda a dimensionar o desafio para a recuperação mais consistente do Ibovespa. Quando estrangeiros reduzem posições, diminui uma importante fonte de demanda por ações brasileiras. Na direção contrária, uma retomada das entradas pode ampliar os efeitos de um ambiente externo mais favorável.
Próxima semana mantém agenda carregada
A recuperação dos últimos pregões não significa que a volatilidade tenha ficado para trás. A combinação entre eleição, política fiscal brasileira e decisões de política monetária no exterior deve continuar determinando o comportamento dos ativos.
Na agenda doméstica, indicadores como IPCA-15 e dados do mercado de trabalho entram no radar. No exterior, investidores continuam atentos aos sinais sobre os próximos movimentos dos juros norte-americanos e às tensões geopolíticas.
A semana que terminou mostrou, sobretudo, como o mercado brasileiro entrou em uma fase mais sensível a mudanças de expectativa. Em poucos pregões, o Ibovespa passou de uma das maiores sequências recentes de perdas para três altas consecutivas, enquanto o dólar abandonou a região de R$ 5,25 e retornou para perto de R$ 5,14.
Com a campanha eleitoral avançando e o ambiente internacional ainda instável, Bolsa e câmbio tendem a continuar divididos entre fundamentos econômicos, fluxo estrangeiro e a precificação do cenário político para 2027.
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