RECURSOS ESTRATÉGICOS
Lula diz que Brasil está aberto a parcerias com diferentes países em minerais críticos
Por Redação - Em 23/08/2026 às 12:01 AM

O governo vem tratando as reservas de terras raras e minerais críticos como ativos capazes de sustentar uma nova etapa de industrialização FOTO: Gil Leonardi/Agência Minas
O Brasil pretende transformar sua disponibilidade de minerais críticos e terras raras em instrumento de atração de investimentos e desenvolvimento industrial, sem estabelecer preferência por uma potência econômica específica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesse sábado (22), que o País está aberto a construir parcerias com Estados Unidos, China, Rússia e países europeus, desde que os acordos atendam aos interesses brasileiros.
A declaração ocorre em um momento de intensificação da disputa internacional por matérias-primas consideradas essenciais para setores como veículos elétricos, semicondutores, baterias, energia renovável e equipamentos de alta tecnologia. Nesse cenário, o governo tenta posicionar o Brasil não apenas como fornecedor de recursos minerais, mas como destino para investimentos associados ao processamento e à industrialização.
Durante ato no Rio de Janeiro, Lula afirmou que não pretende escolher entre China e Estados Unidos e citou também Rússia, França e Inglaterra entre potenciais parceiros. A mensagem reforça a estratégia de manter diferentes canais de negociação em um mercado cada vez mais influenciado por questões de segurança econômica e tecnológica.
O ponto central da política defendida pelo governo é evitar que a expansão da mineração resulte apenas em aumento das exportações de matérias-primas.
Em discurso realizado na semana anterior, Lula já havia defendido que os recursos minerais fossem utilizados para estimular a fabricação doméstica de produtos como chips, celulares e baterias. A estratégia seria avançar na cadeia produtiva antes de direcionar a produção ao mercado internacional.
A posição ganha relevância diante do potencial mineral brasileiro. O governo vem tratando as reservas de terras raras e minerais críticos como ativos capazes de sustentar uma nova etapa de industrialização, especialmente em setores vinculados à transição energética e à economia digital.
A formação de mão de obra também aparece nesse planejamento. Neste sábado, Lula voltou a defender investimentos na preparação de profissionais para atuar na cadeia de minerais estratégicos, relacionando a exploração das reservas ao desenvolvimento tecnológico do País.
Brasil evita dependência de um único parceiro
A abertura para diferentes países acompanha uma estratégia mais ampla do governo para diversificar relações econômicas.
Na segunda-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil deve ampliar seus parceiros comerciais e evitar dependência excessiva de um único mercado, seja na Ásia ou na América do Norte. A orientação é buscar investimentos preservando margem de negociação diante das disputas entre grandes economias.
Essa lógica já apareceu na condução das discussões sobre minerais críticos. No início do ano, o governo descartou aderir à aliança proposta pelos Estados Unidos para o setor e sinalizou preferência por negociações bilaterais que permitissem ao Brasil agregar valor aos recursos antes da exportação.
O movimento coloca o País em uma posição particular. China e Estados Unidos disputam influência sobre cadeias estratégicas de suprimentos, enquanto o Brasil tenta utilizar suas reservas para negociar investimentos, transferência de conhecimento e capacidade industrial.
Data centers entram na mesma estratégia
A agenda apresentada por Lula conecta os recursos naturais à expansão da infraestrutura digital. O presidente também defendeu a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), criado para estimular investimentos em centros de dados e infraestrutura relacionada à inteligência artificial.
A disponibilidade de energia foi apresentada como uma vantagem competitiva brasileira para receber esses projetos. O governo também relaciona essa estratégia ao potencial do País em fontes renováveis, como solar e hidrogênio verde.
A combinação revela uma ambição que ultrapassa o setor mineral: usar recursos naturais e energéticos para atrair atividades de maior intensidade tecnológica.
Nesse desenho, minerais críticos abasteceriam cadeias como baterias e semicondutores; a disponibilidade energética poderia favorecer data centers e projetos industriais; e os acordos internacionais serviriam como fonte de capital e tecnologia.
O desafio será transformar essa vantagem potencial em investimentos concretos. Além das reservas minerais, projetos de grande escala dependem de infraestrutura, licenciamento, financiamento, segurança regulatória e capacidade de processamento.
A disputa global por minerais estratégicos oferece ao Brasil maior poder de negociação. A estratégia apresentada pelo governo é utilizar esse momento para deixar de ocupar apenas a etapa inicial da cadeia e avançar sobre atividades de maior valor agregado — mantendo abertas as portas para diferentes parceiros internacionais.
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