Xadrez eleitoral

Apoio de Lula a João Campos não encerra jogo político em Pernambuco

Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/06/2026 às 7:06 PM

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Campos faz oposição à governadora Raquel Lyra, que por sua vez mantém boa relação com o governo federal. Foto: Montagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu as dúvidas sobre seu posicionamento na disputa pelo Governo de Pernambuco ao declarar apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A manifestação fortalece a aliança histórica entre PT e PSB e atende a uma reivindicação do grupo socialista, mas não elimina completamente as especulações sobre o papel que a governadora Raquel Lyra (PSD) poderá desempenhar na estratégia presidencial petista no estado.

O gesto ocorre em um momento em que Pernambuco se consolidou como uma das disputas estaduais mais relevantes de 2026. Após um período em que João Campos era apontado como favorito à sucessão estadual, o avanço político de Raquel Lyra, impulsionado pelos índices de aprovação de sua gestão e pela ampliação de sua base de apoio, tornou o cenário mais competitivo e elevou o peso político do posicionamento presidencial.

Pressão por definição

Nos últimos meses, a possibilidade de Lula adotar uma postura mais neutra em Pernambuco passou a ser discutida por lideranças políticas locais e nacionais. A avaliação era de que a boa relação institucional construída entre o presidente e Raquel Lyra poderia levar o petista a evitar manifestações mais contundentes durante o primeiro turno.

A hipótese ganhou força diante de declarações de integrantes da base governista que chegaram a admitir, publicamente, a possibilidade de mais de um palanque para Lula no estado. O vídeo divulgado por João Campos nesta semana, porém, representou a manifestação mais clara do presidente em favor da pré-candidatura socialista até agora.

Raquel muda o cenário

A relevância atribuída ao apoio presidencial ajuda a explicar a transformação recente do cenário político pernambucano. Se antes a sucessão estadual parecia caminhar com menor grau de incerteza, o fortalecimento de Raquel Lyra alterou a dinâmica da disputa e deu novo fôlego às articulações nacionais.

Foi nesse contexto que o posicionamento de Lula passou a ser acompanhado com mais atenção por aliados dos dois grupos. O apoio presidencial deixou de representar apenas um alinhamento entre partidos da mesma base para se tornar um ativo político disputado por candidaturas que buscam ampliar suas margens de crescimento.

Mesmo entre aliados da governadora, entretanto, prevalece a avaliação de que a disputa será definida principalmente pela comparação entre as gestões e pela percepção do eleitor sobre os resultados apresentados por cada projeto político.

Pontes preservadas

A reação de Raquel Lyra após a divulgação do vídeo reforçou essa leitura. Em vez de tensionar a relação com o Planalto, a governadora destacou a continuidade da parceria com o governo federal e afirmou que a manifestação de Lula não altera a cooperação institucional entre Pernambuco e a União.

Desde o início de sua gestão, Raquel tem mantido interlocução frequente com ministros e com o próprio presidente, especialmente em projetos estruturantes e investimentos voltados para infraestrutura, recursos hídricos e desenvolvimento regional.

O episódio expõe a complexidade das alianças que se formam para 2026. Lula fortalece João Campos sem romper com Raquel Lyra, enquanto a governadora preserva a parceria com o Planalto sem abrir mão de seu projeto de reeleição. O resultado é um tabuleiro em que as fronteiras entre a eleição pernambucana e a sucessão presidencial se tornam cada vez menos nítidas.

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