Bastidores do poder

Do Senado ao STF, caso Banco Master acirra disputa política e judicial

Por Julia Fernandes Fraga - Em 05/06/2026 às 7:18 PM

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Após decisão de Edson Fachin, ministro Nunes Marques segue como relator do processo no Supremo. Foto: Luiz Roberto/TSE

O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta semana e passou a avançar simultaneamente no Supremo Tribunal Federal (STF), no Senado e na Justiça Eleitoral. As movimentações demonstram o alcance político e institucional do tema em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026.

Na quarta-feira (3), o presidente do STF, Edson Fachin rejeitou o pedido de quatro senadores para declarar a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques em um mandado de segurança que busca obrigar o Senado a instalar a CPI do Banco Master.

A ação foi apresentada pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM). Os parlamentares alegaram que Kassio teria vínculo de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado nas discussões relacionadas ao caso.

Decisão processual

Ao negar o pedido, Fachin não analisou o mérito das alegações. A decisão foi baseada exclusivamente em questão processual.

Segundo o presidente da Corte, a distribuição do processo ocorreu em 26 de março, enquanto a arguição de suspeição foi protocolada apenas em 12 de maio, fora do prazo previsto pelo regimento interno do STF.

Com isso, Kassio Nunes Marques permanece como relator da ação.

Impasse sobre a CPI

O mandado de segurança questiona a ausência de leitura, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do requerimento de criação da CPI do Banco Master.

Os parlamentares afirmam que o pedido reúne 53 assinaturas, número superior ao mínimo de 27 apoios exigidos para a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito. A comissão busca investigar operações e movimentações relacionadas ao Banco Master, tema que ganhou repercussão nacional nos últimos meses.

Até o momento, não há decisão do relator sobre o pedido de instalação da CPI.

Novos desdobramentos

Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no STF uma petição pedindo que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para atuar em processos relacionados ao Banco Master. A defesa do parlamentar sustenta que existem elementos que justificariam o afastamento do magistrado dos casos ligados ao tema. A análise do pedido também caberá a Edson Fachin.

A ofensiva jurídica de Flávio ocorre enquanto surge ligação do próprio senador com Daniel Vorcaro, fundador do banco, após ser revelado o financiamento milionário para o documentário Dark Horse sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O caso gerou representações ainda na Justiça Eleitoral, ampliando seu alcance para além do Congresso Nacional e do Supremo.

Com desdobramentos em diferentes instâncias, o caso Banco Master deixou de se restringir ao debate sobre a instalação de uma CPI e passou a reunir implicações políticas, eleitorais e judiciais que devem continuar no radar de Brasília nos próximos meses.

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