Corrida presidencial

Joaquim Barbosa entra no jogo de 2026 sob tensão partidária e reação do PL

Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/05/2026 às 5:52 PM

Joaquimbarbosa

Em anos passados, o ex-ministro do STF já era cotado para disputar o cargo de presidente do Brasil. Foto: STF

A oficialização da pré-candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ao Palácio do Planalto já nasce cercada de resistência política, disputa interna e forte simbolismo institucional para a corrida presidencial de 2026.

Anunciado pelo Democracia Cristã (DC) como novo nome da legenda para a Presidência da República, Joaquim Barbosa passou a ocupar o centro de uma movimentação que envolve desde o reposicionamento do partido até reações de antigos adversários políticos.

Nesta segunda-feira (18), o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, classificou a pré-candidatura do ex-ministro como “piada” e criticou sua aposentadoria antecipada do STF, em 2014.

“Quem se aposenta com 59 anos no Supremo Tribunal Federal não pode ser presidente”, defendeu Valdemar em entrevista à CNN.

A reação carrega também um peso histórico. Joaquim Barbosa foi o relator do processo do Mensalão no STF, julgamento que levou à condenação de Valdemar Costa Neto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Troca-troca

A entrada de Joaquim Barbosa no tabuleiro eleitoral também provocou um racha dentro do próprio DC. O partido havia lançado anteriormente a pré-candidatura do ex-ministro Aldo Rebelo, que reagiu à substituição garantindo que manterá sua candidatura até a convenção partidária, “mesmo que tenha que judicializar”.

Em nota, Aldo classificou a movimentação como uma “afronta” às relações políticas baseadas na transparência e nas decisões democráticas.

Já o presidente nacional do DC, João Caldas, explicou que a mudança ocorreu após avaliações internas sobre desempenho eleitoral e potencial competitivo da legenda para 2026.

Segundo o dirigente, Joaquim Barbosa representa uma possibilidade de “união nacional” e de reconstrução da confiança da população nas instituições.

Candidaturas de perfil institucional

A movimentação do DC ocorre em meio à tentativa de partidos médios e pequenos de encontrar nomes de alcance nacional para a disputa presidencial de 2026.

Ex-presidente do STF e figura associada ao discurso anticorrupção desde o julgamento do Mensalão, Joaquim Barbosa retorna ao cenário político em um momento marcado por desgaste institucional e pela ampliação da polarização entre os campos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao bolsonarismo. 

No atual cenário pré-eleitoral, nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também articulam espaço na corrida ao Planalto.

A entrada de Joaquim Barbosa, porém, adiciona ao debate um componente institucional raro entre os presidenciáveis já colocados no radar de 2026, ao mesmo tempo em que reacende antigas disputas políticas de Brasília.

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