Marcha em Brasília
Prefeitos viram ativo estratégico na corrida presidencial de 2026
Por Julia Fernandes Fraga - Em 20/05/2026 às 2:11 PM

Ministro José Guimarães, deputado Hugo Motta e o senador Davi Alcolumbre também compareceram à abertura da Marcha dos Prefeitos. Foto: Cadu Gomes/VPR
A XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios consolidou-se, na terça-feira (19), como um dos primeiros grandes termômetros políticos da sucessão presidencial de 2026. Além de um encontro administrativo entre gestores locais e o Governo Federal, o evento transformou Brasília em vitrine da disputa antecipada pelo apoio político dos municípios brasileiros.
Com milhares de prefeitos, vereadores, secretários e lideranças reunidos no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), a edição deste ano evidencia o peso estratégico do municipalismo na construção das futuras alianças nacionais — especialmente em um cenário de crescente polarização política.
Planalto se resguarda
Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu a descentralização administrativa e o fortalecimento dos governos locais, mas enfrentou vaias de parte do público durante a cerimônia de abertura.
O ambiente foi amenizado após o vice-presidente afirmar que Lula “nunca perguntou de que partido era um prefeito” ao liberar recursos federais.
A ausência do presidente acabou se tornando um dos principais temas nos bastidores do evento. Embora interlocutores do Palácio do Planalto sustentem que Lula evitou associar sua presença ao formato de sabatina reservado aos presidenciáveis, a leitura entre lideranças municipais é de que o governo tenta reduzir desgastes em um espaço tradicionalmente sensível ao PT.
Palanque antecipado de 2026

O pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, discursou no evento. Foto: Reprodução/Instagram
Enquanto isso, nomes da oposição aproveitaram a visibilidade da Marcha para ampliar discursos e testar posicionamentos diante do eleitorado municipalista.
Primeiro presidenciável a participar da programação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou tom de enfrentamento político, criticou o governo federal, defendeu maior autonomia financeira para os municípios e voltou a prometer anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A participação do senador ocorreu poucos dias após a divulgação de mensagens e áudios relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que elevou a pressão sobre seu entorno político. Sem mencionar diretamente o caso, Flávio afirmou sofrer perseguição e criticou o uso do “aparato estatal” contra adversários políticos.
Prefeitos como ativo político
A programação da Marcha também inclui participações dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), reforçando o movimento de aproximação entre presidenciáveis e lideranças municipais em um momento considerado decisivo para a construção de palanques regionais e redes de apoio nos estados.
Organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), a Marcha dos Prefeitos reúne debates sobre segurança pública, saúde, educação, reforma tributária, infraestrutura, saneamento e financiamento das cidades — pautas que, cada vez mais, se conectam diretamente à disputa política nacional.
Nos bastidores de Brasília, a percepção predominante entre lideranças presentes é de que a corrida presidencial de 2026 já começou — e passa, necessariamente, pelas prefeituras.
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