Pressão em Brasília

Setor elétrico brasileiro entra em nova fase de tensão sobre custo da transição energética

Por Julia Fernandes Fraga - Em 27/05/2026 às 7:11 PM

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Deputado federal Danilo Forte apresentou requerimento para que ministério esclareça a situação. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A disputa em torno do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 ganhou nova dimensão política em Brasília após a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pela Câmara dos Deputados. No centro do embate estão os impactos tarifários do modelo adotado pelo governo, a segurança energética do país e os rumos da matriz elétrica brasileira.

O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Danilo Forte (PP-CE), que cobra esclarecimentos sobre a possível antecipação da entrada em operação de usinas termelétricas contratadas no certame realizado neste ano para garantir energia firme ao sistema elétrico nacional.

Segundo o parlamentar, a medida pode ampliar encargos bilionários do setor elétrico e pressionar tarifas para consumidores e empresas. “Estamos falando de bilhões de reais e de um tema com impacto direto sobre a competitividade da economia brasileira e o bolso da população”, sustenta Forte.

Além da convocação do ministro, foi solicitada investigação sobre possíveis irregularidades relacionadas ao leilão. O parlamentar cearense defende maior fiscalização sobre decisões com potencial impacto bilionário no setor elétrico.

Energia em debate

A discussão expõe diferentes visões sobre a expansão do sistema elétrico brasileiro.

Defensores das termelétricas argumentam que a contratação de energia firme é necessária para garantir estabilidade ao sistema diante do avanço das fontes solar e eólica. Já representantes do setor renovável defendem alternativas como armazenamento em baterias, modernização da infraestrutura e maior flexibilidade operacional da rede.

A discussão ganhou força após a chegada do chamado “curtailment” – cortes obrigatórios na geração renovável determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em momentos de excesso de oferta ou limitações de transmissão.

Nos bastidores, o embate também envolve interesses econômicos ligados à expansão das fontes renováveis e à contratação de energia térmica para garantir confiabilidade ao sistema.

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