Corrida presidencial
Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA amplia disputa política entre bolsonarismo e lulismo
Por Julia Fernandes Fraga - Em 25/05/2026 às 6:57 PM

Senador viajou, mas sem confirmação de agendas. Foto: Reprodução/Flickr
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desembarcou nesta segunda-feira (25) em Washington, nos Estados Unidos, em meio a um momento de pressão sobre sua articulação eleitoral para 2026. A expectativa é de que o parlamentar tenha uma reunião com o presidente norte-americano Donald Trump, em uma movimentação vista nos bastidores como tentativa de reposicionamento político após o desgaste provocado pelo caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A agenda internacional ocorre três semanas após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também ter sido recebido por Trump na Casa Branca, ampliando o peso simbólico da disputa de narrativa entre lulismo e bolsonarismo no cenário pré-eleitoral brasileiro. Até o momento, a Casa Branca não confirmou oficialmente a realização do encontro com Flávio.
O senador evitou antecipar detalhes da agenda e afirmou que havia orientação para não comentar o assunto antes da reunião. Interlocutores próximos ao parlamentar indicam, porém, que a articulação contou com apoio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e mantém interlocução com setores ligados ao trumpismo.
Washington ganha peso na disputa de 2026
A viagem ocorre em meio ao esforço do PL para marcar a presença internacional de Flávio Bolsonaro e fortalecer sua imagem junto ao eleitorado conservador. O movimento acontece após pesquisas recentes indicarem recuo do senador em cenários de primeiro e segundo turno.
O desgaste político ganhou força após a divulgação de mensagens em que Flávio pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados avaliam que uma eventual imagem ao lado de Trump poderia reposicionar o senador no debate nacional e reforçar sua conexão com a direita internacional, especialmente diante da influência simbólica do presidente norte-americano entre lideranças conservadoras.
Integrantes do entorno de Lula acompanham a movimentação com cautela. A avaliação no governo é de que qualquer gesto público de Trump poderá ter impacto direto no ambiente político de 2026 — seja como demonstração de apoio a Flávio, seja como reforço ao discurso de soberania adotado pelo Palácio do Planalto.
Segurança pública entra na pauta da viagem
Entre os temas que devem ser abordados por Flávio nos Estados Unidos está a defesa da classificação de organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como entidades terroristas. A proposta vem sendo defendida por setores da oposição, enquanto integrantes do governo federal argumentam que a medida poderia abrir margem para tensões diplomáticas e questionamentos sobre soberania nacional.
Além da possível reunião com Trump, Flávio também deverá cumprir agendas com integrantes do Departamento de Estado norte-americano antes de retornar ao Brasil nos próximos dias.
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