O clima no mundo

Todos os olhos voltados a Glasgow?

Por Ana Cristina Cavalcante - Última Atualização 2 de novembro de 2021

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Crédito: Paul Ellis/AFP

Na Escócia, um dos países que formam o Reino Unido da Grã Bretanha, começa hoje a COP-26. Principal cúpula sobre o clima do planeta. É o momento em que os chefes de Estado debatem e assumem compromissos para deter o aquecimento global, reduzir desmatamentos de florestas, recuar na emissão de gases, em especial o carbono e o metano, além de trocar energia fóssil por matrizes limpas e renováveis. Uma mudança radical no padrão produtivo, que demanda esforços enormes e um pacto mundial. Eis o X da questão.

Ninguém segura…

Desde a virada dos anos 1980 para os 1990, o mundo vive o fenômeno da Globalização. A letra maiúscula nem é mais utilizada na escrita sobre esse movimento. Aqui, é um símbolo da relevância que volta a ter, após as reviravoltas econômicas, sociais e políticas vistas nas últimas décadas. Atualmente, é o grande tema a ser encaminhado por líderes nos quatro cantos da Terra. A queda do muro de Berlim, a Glasnost/Perestroica, que representaram o fim da antiga União Soviética, e a redemocratização do Brasil são alguns emblemas desse novo mundo que começava ali.

… a mão de ninguém…

Assim como o crescimento econômico, o combate à fome e a democracia, o clima também é questão transversal desde então. Um marco para a discussão climática foi a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. De pioneiro da chamada “ecologia”, nos longínquos anos 90 a hoje, o Brasil não só perdeu protagonismo. Construiu para si, de 2018 até este começo de novembro de 2021, uma imagem de descaso com a Amazônia, ameaças aos direitos dos povos indígenas, pivô de embates e alvo de críticas das grandes nações. Mas não está só. No século 21, o consenso parece mais difícil. E a verdade é que, quando se trata de aquecimento global, ninguém segura a mão de ninguém.

Clima não é problema. É solução!

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Crédito: Divulgação

Ao contrário do quê muitos pensam, clima não é problema para a economia. É solução. É  caminho. É futuro. Mas apenas alguns países parecem compreender isso. Num estágio mais avançado estão as empresas. Os complainces das maiores companhias do mundo já preveem políticas ESG – termo que reúne os pilares da iniciativa empresarial mais moderna: preservação, sustentabilidade e energia limpa e renoválvel. Muitas marcas mudaram seu modo de produção e operam dentro “das quatro linhas” da preservação da Terra. Este grupo de empresários já entende que não existe o “joga o lixo fora”.  Pelo simples fato de que não existe fora.

Lembrem dos dinossauros…

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Crédito: Disney

Gigantes negacionistas não se opõem só às medidas contra a Covid-19. São negacionistas do clima. Entre eles estão China, Índia e… Brasil.  Xi Ji Ping, líder da China,  não foi à COP e o governo brasileiro está representado apenas pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. Jair Bolsonaro mandou um vídeo que não foi exibido. Por firme decisão política da Cúpula para passar uma mensagem clara.  A urgência da questão requer a presença, o compromisso solene e crível. Infelizmente, esses nãos foram os únicos ausentes. Na Cúpula e na compreensão da importância da coisa toda. A muitas outras nações ainda escapa a compreensão de que se não preservarmos, não haverá nada a deixar para as gerações que virão. Será que seremos, no futuro, o que foram para nós os dinossauros do passado?

EUA X China: pontos em comum?

Estados Unidos e China acabam levando seus problemas de concorrência pelo posto de maior economia do planeta para o debate climático. Estão sempre em lados apostos? Nem tanto. Não se pode culpar apenas China por não firmar políticas públicas concretas capazes de gerar resultados no menor prazo possível, porque os Estados Unidos também não o fazem.  O presidente Joe Biden se elegeu tendo o Green Deal com uma de suas plataformas de governo. No entanto, chega a Glasgow sem a proposta. O acordo verde do democrata está travado no Congresso e, mais grave, até dentro de seu próprio partido. Biden chega à Cop-26 enfraquecido. Enquanto Xi Ji Ping sequer irá. A justificativa é de que a China ainda prioriza a redução das imensas desigualdades sociais. O poder executivo chinês demonstra não ter a percepção de que é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Se não agirmos agora, não agiremos mais…

Esta foi a tônica da fala do primeiro-ministro britânico e anfitrião da Cop-26, Boris Johnson. Se não fizermos as mudanças necessárias agora, não haverá mais tempo para fazê-las. Não haverá sequer planeta. É interessante notar como um conservador britânico,  defensor do Brexit e o consequente isolacionismo, clama agora a seus pares por uma união de esforços. Contradições à parte, antes assim. Que sua voz seja ouvida por um motivo de relevância incontestável.

Se não mudar, nem o agro será pop.

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Crédito: Divulgação

Das ironias da existência humana… Johnson fez o chamamento para os efeitos do aquecimento global. Um inglês, num palanque na Escócia. Reino Unido, a Terra da Revolução Industrial. Onde o processo de aquecimento global começou. Literalmente. Que saia de lá a decisão consolidada da conversão do modelo que temos para a indústria verde. Melhor: para a economia verde. Porque o agronegócio também precisa mudar. Especialmente na pecuária, em que a produção de gás metano pelos rebanhos de gado fica cada dia maior. O planeta precisa, com urgência, de uma transformação de seu modo de produção. Das chaminés de ontem ao gado de hoje. Só assim o agro continuará pop.

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