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Guerra pode elevar energia em 24% e fertilizantes em 31%, alerta Banco Mundial

Por Redação - Em 28/04/2026 às 3:30 PM

Fertilizantesbrasil

Energia cara encarece fertilizantes, fertilizantes pressionam alimentos, e alimentos ampliam a inflação

A escalada da guerra no Oriente Médio e as rupturas no mercado internacional de energia levaram o Banco Mundial a revisar drasticamente suas projeções para 2026: os preços globais de energia devem subir 24%, enquanto os fertilizantes podem avançar 31%, criando uma nova onda de pressão sobre custos agrícolas, inflação e segurança alimentar. O alerta sinaliza um cenário de impacto direto sobre produtores rurais, especialmente em economias emergentes dependentes de importação de insumos.

Segundo o relatório, o petróleo Brent deve registrar média de US$ 86 por barril em 2026, ante US$ 69 em 2025, mas, em caso de agravamento do conflito e novos danos à infraestrutura de energia, a cotação pode atingir US$ 115 por barril. Em abril, o Brent já era negociado acima de US$ 109, refletindo a combinação entre guerra, gargalos logísticos e risco ao transporte no Estreito de Ormuz, rota estratégica para cerca de um quinto da energia global.

No agronegócio, o impacto mais severo deve ocorrer nos fertilizantes nitrogenados. A ureia, principal insumo global do segmento, pode subir 60%, impulsionando a média geral de fertilizantes para cima e elevando o custo por hectare em culturas intensivas como milho, soja e trigo. Como a produção de ureia depende fortemente de gás natural, a alta energética se converte rapidamente em encarecimento agrícola, comprimindo margens e pressionando a produtividade futura.

O Banco Mundial alerta que esse choque não se limita ao campo: energia cara encarece fertilizantes, fertilizantes pressionam alimentos, e alimentos ampliam a inflação. Nas economias em desenvolvimento, a inflação média projetada para 2026 subiu para 5,1%, contra 4,7% no ano anterior, podendo alcançar 5,8% em caso de prolongamento da guerra. Paralelamente, o crescimento dessas economias foi revisado para 3,6%, abaixo dos 4% estimados antes da crise.

O efeito social também preocupa. O Programa Mundial de Alimentos estima que mais 45 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar aguda se o conflito persistir, em um contexto no qual agricultores terão de lidar com crédito mais caro, insumos pressionados e maior volatilidade operacional.

Para países agrícolas como o Brasil, grandes exportadores de alimentos mas também dependentes de fertilizantes importados, o cenário exige planejamento financeiro, proteção cambial e maior eficiência logística. O diagnóstico do Banco Mundial reforça que o choque atual deixou de ser apenas geopolítico: ele já se converte em uma ameaça econômica sistêmica, com potencial para redefinir custos de produção, inflação global e competitividade no agro.

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