Impacto social
Muito além da uva: Vaticano transforma vinhedo em laboratório de sustentabilidade
Por Julia Fernandes Fraga - Em 27/06/2026 às 3:48 PM

O Borgo Laudato Si foi inaugurado pelo Papa Leão XIV em 2025. Fotos: Vatican News e Reprodução/Instagram
A produção do primeiro vinho elaborado a partir do vinhedo instalado em Castel Gandolfo, residência de verão do Papa nos arredores de Roma, marca uma nova etapa do projeto Borgo Laudato Si, iniciativa que transforma parte dos jardins papais em um espaço dedicado à agricultura regenerativa, à educação ambiental e à inclusão social.
A primeira produção, desde que foi inaugurado em 2025, resultou em cerca de 5 mil garrafas de Cabernet Sauvignon, em uma iniciativa de caráter essencialmente institucional e simbólico. Diferentemente de uma vinícola comercial, o foco não é disputar mercado, mas demonstrar, na prática, princípios de sustentabilidade inspirados na encíclica Laudato Si, publicada em 2015 pelo Papa Francisco.
Tecnologia, pesquisa e inclusão social
Implantado em aproximadamente dois hectares da propriedade papal, o vinhedo foi desenvolvido com apoio técnico da Universidade de Udine e adota técnicas de cultivo que reduzem o uso de defensivos agrícolas, priorizam o manejo regenerativo do solo e utilizam sistemas inteligentes de irrigação. A elaboração do vinho é conduzida pelo renomado enólogo italiano Riccardo Cotarella.
O projeto também se destaca pelo impacto social. O cultivo das cerca de oito mil videiras envolve refugiados, migrantes e jovens em situação de vulnerabilidade, que recebem capacitação em agricultura sustentável, hospitalidade e manejo rural, integrando uma proposta baseada na economia circular e na formação profissional.
Quando atingir sua capacidade plena, a expectativa é que o vinhedo produza aproximadamente 20 mil garrafas por safra, destinadas às atividades institucionais do Vaticano e aos visitantes do Borgo Laudato Si.
Tendência que também avança no Ceará
Embora em escalas e contextos distintos, o projeto do Vaticano dialoga com iniciativas que vêm ganhando espaço no Ceará, onde sustentabilidade, educação ambiental e inclusão social também passaram a orientar ações desenvolvidas por instituições públicas.
Nas últimas semanas, a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e a Prefeitura de Fortaleza inauguraram hortas hidropônicas voltadas à segurança alimentar, à educação ambiental e à formação cidadã. As iniciativas, conduzidas pelas primeiras-damas Tainah Marinho Aldigueri, da Alece, e Cristiane Leitão, de Fortaleza, contam com a parceria da Solar Coca-Cola e reforçam o uso de tecnologias sustentáveis como instrumento de impacto social.
Mesmo com objetivos e dimensões diferentes, os projetos evidenciam uma tendência global de transformar espaços de cultivo em ambientes de aprendizagem, preservação ambiental e desenvolvimento humano. Nesse contexto, a experiência de Castel Gandolfo eleva esse debate ao associar agricultura regenerativa, inclusão social e o simbolismo da Santa Sé em torno da sustentabilidade.
- Tainah Marinho Aldigueri
- Cristiane Leitão
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