Geopolítica

Petróleo supera US$ 100 e tensão entre Irã e EUA mantém mercado global sob pressão

Por REDAÇÃO - Em 11/05/2026 às 10:55 AM

Barrels Of Oil On The High Seas, Created With Generative Ai Tech

Movimentações no mercado internacional acompanham os desdobramentos das tensões geopolíticas no Oriente Médio — Foto: Magnific

O mercado internacional de petróleo iniciou a semana em alta, refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno de um possível acordo entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito na região. O barril do tipo Brent, referência global da commodity, voltou a operar acima de US$ 100, ampliando a atenção de investidores e governos sobre os impactos econômicos da crise.

Na abertura dos negócios desta segunda-feira, o Brent registrava alta de 2,59%, sendo negociado a US$ 103,91 por barril. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, a commodity acumula valorização de 39,7%, após sair da faixa de US$ 72 e alcançar máximas próximas de US$ 120 durante o período mais crítico das tensões.

A pressão sobre os preços está diretamente ligada às restrições no Estreito de Hormuz, rota estratégica responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O bloqueio imposto pelo Irã desde o início dos ataques coordenados por Estados Unidos e Israel reduziu a circulação marítima na região e elevou o temor de desabastecimento global.

As negociações diplomáticas seguem cercadas de impasses. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país “não se curvará diante dos inimigos”, ao comentar a proposta mais recente envolvendo o fim do conflito. Segundo ele, qualquer diálogo deve preservar os interesses nacionais iranianos.

“Se houver menção a diálogo ou negociação, isso não significa rendição ou recuo. Pelo contrário, o objetivo é a realização dos direitos da nação iraniana e a defesa vigorosa dos interesses nacionais”, declarou o presidente iraniano.

Do lado americano, Donald Trump classificou a resposta iraniana como “totalmente inaceitável”, rejeitando os 14 pontos apresentados por Teerã para um eventual acordo de paz. Em reação, a agência estatal iraniana Tasnim afirmou que “ninguém no Irã escreve propostas para agradar Trump”.

Especialistas acompanham com preocupação os possíveis reflexos da crise sobre cadeias globais de abastecimento, inflação e custos de energia. Além do petróleo, o Estreito de Hormuz também concentra parte relevante da circulação marítima de combustíveis e fertilizantes, fator que amplia os riscos de volatilidade internacional.

Mesmo sem ter ratificado integralmente a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o Irã é pressionado pela comunidade internacional a respeitar as regras de livre navegação em estreitos internacionais, considerados estratégicos para o comércio global.

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