POLÍTICA MONETÁRIA
Selic pode cair a 13,5% até dezembro com mais dois cortes de juros, prevê Oxford Economics
Por Redação - Em 11/08/2026 às 10:37 AM

Edifício Sede Do Banco Central Do Brasil Em Brasília Foto Marcello Casal Jr Agência Brasil
O Banco Central deve promover mais duas reduções de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros até o fim de 2026, levando a Selic dos atuais 14% para 13,5% ao ano em dezembro. A projeção é da consultoria britânica Oxford Economics, que ainda vê espaço para flexibilização monetária no Brasil, apesar do cenário de cautela que prevalece entre os principais bancos centrais da América Latina.
Pelas estimativas da consultoria, o próximo corte deve ocorrer em setembro, quando a taxa passaria de 14% para 13,75%. Uma nova redução de 0,25 ponto percentual no quarto trimestre encerraria o ano com os juros básicos em 13,5%.
A projeção ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião da semana passada, na quarta queda consecutiva de igual magnitude. Segundo a Oxford Economics, a desaceleração dos preços dos alimentos e os sinais de enfraquecimento da atividade econômica contribuíram para abrir espaço para o movimento.
Apesar disso, a política monetária brasileira continua em terreno restritivo. A consultoria aponta a situação fiscal e as expectativas de inflação ainda desancoradas entre os fatores que limitam a velocidade do ciclo de redução dos juros.
A ata mais recente do Copom, divulgada nesta terça-feira (11), reforçou essa postura. O Banco Central reconheceu sinais mais favoráveis na dinâmica da inflação e uma desaceleração da atividade econômica, mas não antecipou quais serão os próximos passos. A autoridade monetária ressaltou que os juros precisam permanecer em nível suficientemente restritivo para conduzir a inflação à meta de 3%.
América Latina mantém cautela
O cenário brasileiro faz parte de um movimento mais amplo na América Latina. Segundo relatório da Oxford Economics, os bancos centrais da região devem manter uma atuação cautelosa mesmo diante da melhora dos mercados financeiros e da redução recente das cotações do petróleo.
Os avanços nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz contribuíram para melhorar o ambiente nos mercados, mas, na avaliação da consultoria, não são suficientes para provocar uma mudança de direção na política monetária. Os efeitos da guerra no Irã continuam entre as fontes de incerteza para as autoridades monetárias da região.
No México, o Banco do México manteve a taxa de referência em 6,5%, mesmo com uma desaceleração da inflação geral acima das expectativas. Para a Oxford Economics, a política monetária mexicana está próxima de uma posição neutra. A projeção é de um corte de 0,25 ponto percentual no início de 2027, levando os juros para 6,25%.
Chile deve crescer 0,9%
No Chile, os dados recentes apontaram recuperação da atividade. O Índice Mensal de Atividade Econômica (Imacec) avançou 0,6% em junho, impulsionado principalmente pelo crescimento de 3,4% da produção da mineração após interrupções na indústria do cobre.
Apesar da melhora, a Oxford Economics manteve em 0,9% a projeção de crescimento da economia chilena em 2026, abaixo do consenso de mercado de 1,3%. Entre os riscos considerados estão novas interrupções na mineração e condições climáticas adversas associadas ao fenômeno El Niño.
A combinação de menor pressão inflacionária externa e capacidade ociosa na economia deve permitir, segundo a consultoria, que o Banco Central do Chile mantenha a atual pausa na política monetária até o fim deste ano.
No Peru, a previsão é de manutenção dos juros em 4,25% durante o restante de 2026. As expectativas de inflação estão estabilizadas em 2,8%, mas a Oxford Economics não descarta uma elevação das taxas no quarto trimestre caso as perspectivas para os preços se deteriorem ou a inflação surpreenda para cima.
Já na Colômbia, a expectativa é de que a inflação anual permaneça pouco acima de 6% até o encerramento de 2026. A desvalorização do peso colombiano e o enfraquecimento da demanda interna podem ajudar a limitar as pressões inflacionárias, enquanto possíveis efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos permanecem como fator de risco.
Para a Oxford Economics, portanto, Brasil e México apresentam espaço para novos cortes, mas o cenário internacional ainda recomenda cautela. No caso brasileiro, a projeção de Selic a 13,5% indica continuidade do ciclo de flexibilização, porém em ritmo gradual diante das incertezas fiscais e inflacionárias.
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