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Grupo Toky obtém proteção judicial de 60 dias para negociar dívidas bilionárias e evitar pressão imediata de credores

Por Redação - Em 14/05/2026 às 9:31 AM

Tok&stok E Mobly

A medida ocorre poucos dias após o grupo protocolar pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo

A Justiça de São Paulo concedeu ao Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, um período de 60 dias de proteção parcial contra cobranças, dando fôlego para a companhia tentar reorganizar sua estrutura financeira em meio a uma crise de liquidez que já ultrapassa R$ 1 bilhão em dívidas. A decisão suspende temporariamente parte das execuções e pressões imediatas de credores enquanto o conglomerado busca uma solução estruturada para seu passivo.

A medida ocorre poucos dias após o grupo protocolar pedido de recuperação judicial no Foro Central Cível de São Paulo, sob segredo de justiça, em um cenário marcado por juros elevados, retração do consumo e forte desaceleração do setor de móveis e decoração. Segundo documentos reportados ao mercado, o endividamento total gira em torno de R$ 1,12 bilhão, pressionando uma empresa nascida da fusão entre Mobly e Tok&Stok e que, após a integração, passou a enfrentar dificuldades para sustentar sua estrutura de capital.

O impacto foi imediato no mercado financeiro. As ações TOKY3 chegaram a despencar cerca de 40% após o anúncio do pedido de recuperação, acumulando perda aproximada de 80% no ano, reflexo da deterioração da confiança de investidores diante do risco operacional e da pressão sobre caixa.

A proteção judicial parcial funciona como uma espécie de escudo emergencial para impedir colapso operacional no curto prazo, preservando lojas, canais digitais e negociações com bancos como Banco do Brasil, Bradesco e Santander, citados entre os principais credores. A estratégia busca evitar interrupções abruptas enquanto a companhia tenta renegociar obrigações e reequilibrar sua operação.

Criado para formar uma potência nacional no setor de móveis e decoração, o Grupo Toky agora enfrenta o desafio de transformar escala em sustentabilidade financeira. A janela de 60 dias será decisiva para definir se a companhia conseguirá converter proteção temporária em recuperação efetiva — ou se a crise se aprofundará em um dos maiores casos recentes de estresse corporativo no varejo brasileiro.

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