Debate internacional

Fórum de Lisboa concentra lideranças brasileiras em torno dos desafios da nova ordem global

Por Julia Fernandes Fraga - Em 01/06/2026 às 4:01 PM

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Dezenas de participantes estão na XIV edição do evento, liderado pelo ministro Gilmar Mendes. Fotos: Reprodução/Instagram

O Fórum de Lisboa, em sua XIV edição, volta a reunir representantes dos principais centros de decisão do país em torno de temas que hoje influenciam governos, tribunais, parlamentos e empresas. Iniciado nesta segunda-feira (1º), na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o evento segue até quarta-feira (3) com debates sobre tecnologia, soberania, democracia e os impactos das transformações globais sobre os Estados contemporâneos.

Com o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”, a edição – liderada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – reúne ministros de tribunais superiores, parlamentares, integrantes do Executivo, empresários, pesquisadores e especialistas brasileiros e europeus. Entre os participantes estão o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); ministros do STF e do STJ, representantes da advocacia, gestores públicos e lideranças do setor produtivo.

Além do universo jurídico

Ao longo dos últimos anos, o Fórum de Lisboa ampliou sua influência para além da academia e consolidou-se como um espaço de convergência entre Direito, política, economia e gestão pública. A programação aborda temas como inteligência artificial, regulação de plataformas digitais, proteção de dados, integridade eleitoral, transição energética, judicialização da saúde e governança global – assuntos que deixaram de ser exclusivamente técnicos para ocupar posição estratégica nas agendas de Estado.

Nesse contexto, a reflexão enviada pelo ministro do STF, Flávio Dino – que não pôde comparecer ao evento devido a um acidente doméstico – , dialoga com uma das questões centrais da edição: o papel das instituições diante das transformações tecnológicas, econômicas e sociais em curso. Ao recorrer ao pensamento de Celso Furtado, Dino defende a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento e destaca a importância de as instituições atuarem dentro de seus limites constitucionais para garantir direitos e fortalecer a democracia.

Ambiente de diálogo e articulação

A dimensão institucional do encontro ficou evidente antes mesmo da abertura oficial. Na véspera do Fórum, o empresário João Camargo, do Grupo Esfera, promoveu uma recepção que reuniu autoridades, juristas, acadêmicos e convidados que desembarcaram em Portugal para participar dos debates.

Entre os representantes da ala política, estavam o ex-governador do Pará, Helder Barbalho; o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab; o ministro das Cidades, Jader Filho, além de outras lideranças políticas, empresariais e jurídicas – como Pierpaolo Bottini, que palestrou no Ministério Público do Ceará na última sexta-feira (29). 

O encontro reforça uma característica que se tornou marca do Fórum de Lisboa: a capacidade de reunir, em um mesmo ambiente, representantes dos diferentes Poderes, gestores públicos, empresários e especialistas para discutir temas que deverão influenciar decisões políticas, econômicas e institucionais nos próximos anos, em um momento em que tecnologia, soberania e democracia ocupam o centro das discussões globais.

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