G7 no radar
Planalto aposta em negociação com EUA e evita crise política com Trump
Por Julia Fernandes Fraga - Em 06/06/2026 às 2:26 AM

Presidentes podem se encontrar neste mês na Cúpula do G7 na França. Foto: Montagem
Apesar das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a relação com Donald Trump permanece preservada e apostam na continuidade das negociações para evitar uma escalada diplomática entre os dois países.
A expectativa do governo é avançar nas conversas técnicas antes da cúpula do G7, marcada para os dias 15 a 17 de junho, na França. Lula e Trump já confirmaram presença no encontro e interlocutores do Planalto consideram provável um contato entre os dois, embora não exista pedido formal de reunião.
Crise entre Brasil e EUA avança do comércio para o campo político
Negociação em curso
O governo brasileiro aguarda para a próxima semana uma videoconferência entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).
A conversa ocorre em meio às tentativas de evitar a aplicação das tarifas anunciadas por Washington para 15 de julho. Nos bastidores, a avaliação é que há margem para negociação da sobretaxa de 25% direcionada ao Brasil, enquanto a tarifa adicional de 12,5%, aplicada a dezenas de países, é considerada mais difícil de reverter.
Tarifas e tensão iminente
Nesta semana, o USTR anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, citando questões ligadas ao acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, desmatamento e ao sistema de pagamentos Pix. No dia seguinte, Washington propôs outra sobretaxa, de 12,5%, para mais de 60 países, incluindo o Brasil.
O governo brasileiro contesta os argumentos apresentados pelos americanos e trabalha para impedir a entrada em vigor das medidas. Entre os pontos considerados inegociáveis está o Pix, já defendido publicamente pelo presidente Lula.
O episódio ocorre após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, em maio, que acrescentou um componente político às discussões bilaterais. Ainda assim, a orientação do governo é concentrar esforços na agenda econômica e diplomática para evitar que a disputa comercial evolua para uma crise política mais ampla.
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