LEGITIMIDADE, SEGURANÇA E TRANSPARÊNCIA

Democracia digital: Justiça cearense debate desafios da IA nas Eleições 2026

Por Marcelo Cabral - Em 09/08/2026 às 2:57 PM

A inteligência artificial, a desinformação digital e os novos desafios da participação política estiveram no centro dos debates promovidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), durante o XIII Ciclo de Debates da Escola Judiciária Eleitoral Cearense (EJEC). O encontro reuniu representantes do sistema de Justiça, pesquisadores e especialistas para discutir os caminhos da democracia diante das transformações tecnológicas que irão marcar o próximo processo eleitoral.

Autoridades comandaram debates relevantes durante o evento               Fotos: Lucas Moura/Ascom TJCE

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) participou da programação, reforçando a atuação integrada das instituições na construção de estratégias para garantir a transparência, a segurança e a legitimidade das eleições. Representando a Presidência do TJCE, a desembargadora Joriza Magalhães Pinheiro destacou o papel histórico da Justiça Eleitoral na proteção do Estado Democrático de Direito. “O compromisso está diretamente relacionado à missão de garantir a equidade no processo eleitoral, a igualdade e o nosso Estado Democrático de Direito”, afirmou a magistrada, que também dirige a Escola Superior da Magistratura do Ceará (Esmec).

Um dos principais momentos da programação foi a mesa ‘Democracia Algorítmica: O impacto da inteligência artificial nas Eleições 2026”, presidida pelo juiz auxiliar da Presidência do TJCE, Marcelo Roseno. Ele ressaltou que a inteligência artificial representa um dos maiores desafios contemporâneos para a Justiça Eleitoral, especialmente diante da velocidade de circulação de informações e da transformação do ambiente político pelas plataformas digitais. “Vamos tratar neste painel de um dos maiores desafios da atualidade”, disse.

A discussão contou com a participação do juiz federal George Marmelstein, do juiz auxiliar da Presidência do TRE-CE Alisson Simeão e da professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Raquel Cavalcanti. Entre os temas abordados estiveram o uso de algoritmos, a influência das redes sociais, os riscos da desinformação e os mecanismos necessários para preservar a integridade dos processos eleitorais. Segundo Marmelstein, a evolução tecnológica alterou bastante a dinâmica das disputas eleitorais. “Tivemos uma mudança do ethos da eleição, do padrão tradicional para esse padrão das redes, da utilização da IA, que realmente é o grande desafio que nós temos hoje.”

Violência política de gênero em debate

Violência política de gênero e desafios da participação feminina foram debatidos no evento do TRE-CE

A programação também abordou os desafios relacionados à participação feminina na política e à proteção contra práticas que comprometem a igualdade no ambiente eleitoral. A mesa ‘Criminalidade organizada e processo eleitoral: Desafios contemporâneos à integridade democrática’ reuniu o desembargador eleitoral Antônio Edilberto Oliveira Lima, o promotor de Justiça Igor Pereira Pinheiro e o advogado Fernandes Neto.

O encerramento ficou por conta do painel ‘Violência política de gênero: Desafios e perspectivas para as Eleições 2026”, com participação da procuradora da República Nathalia Mariel, da servidora da Justiça Eleitoral Roberta Laena e da ouvidora da Mulher do TRE-CE, juíza Valéria Carneiro dos Santos.

O debate tratou de temas como fraudes em cotas de gênero, candidaturas fictícias e a invisibilização de situações de violência política contra mulheres. A iniciativa reforçou a importância do diálogo entre instituições, academia e sociedade para enfrentar os novos desafios da democracia em uma era marcada pela tecnologia, pelos dados e pela comunicação digital.

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