BALANÇO
JBS fatura recorde de US$ 23,9 bilhões no 2º trimestre, mas tem prejuízo de US$ 102 milhões
Por Redação - Em 11/08/2026 às 10:44 AM

O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou US$ 1,257 bilhão
A JBS encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões, crescimento de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do avanço do faturamento, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 102 milhões entre abril e junho, revertendo o lucro obtido um ano antes.
O resultado líquido ficou abaixo das expectativas do mercado. O consenso compilado pela LSEG apontava para lucro de US$ 379 milhões no período. Em contrapartida, a receita superou a projeção de US$ 22,9 bilhões.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou US$ 1,257 bilhão. Segundo a JBS, a maior parte das unidades apresentou melhora sequencial de rentabilidade, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo negócio de carne bovina nos Estados Unidos.
O desempenho trimestral refletiu a diversificação das operações da companhia entre diferentes países e segmentos de proteínas. Os negócios de aves, suínos e as operações internacionais contribuíram para compensar a pressão sobre a atividade de carne bovina na América do Norte.
Brasil cresce 28%
A operação brasileira foi um dos destaques do trimestre. A JBS Brasil alcançou receita líquida recorde de US$ 4,6 bilhões, expansão de 28% em relação ao mesmo período de 2025.
O Ebitda ajustado da unidade avançou 22,1%, para US$ 273 milhões, o maior valor já registrado pela operação brasileira em um segundo trimestre. A margem Ebitda ficou em 5,9%, mesmo com alta de 12% no preço médio do gado.
De acordo com a companhia, o resultado foi favorecido pelo desempenho das exportações, que apresentaram crescimento tanto dos volumes quanto dos preços. No mercado brasileiro, a estratégia permaneceu concentrada na ampliação de produtos de maior valor agregado e na atuação junto a clientes considerados estratégicos.
A Seara também ampliou as receitas. O faturamento da unidade chegou a US$ 2,5 bilhões, avanço de 18,2% na comparação anual. O volume comercializado superou 1 milhão de toneladas no trimestre.
O Ebitda ajustado da Seara atingiu US$ 315 milhões, com margem de 12,3%. O resultado foi sustentado pelo aumento dos volumes, ganhos de eficiência operacional e expansão das vendas nos mercados brasileiro e internacional.
Operação nos EUA
Na América do Norte, a JBS Beef North America atingiu receita recorde de US$ 7,8 bilhões, crescimento de 14,2% sobre o segundo trimestre de 2025. A companhia atribuiu o avanço aos preços elevados da carne bovina e à manutenção da demanda dos consumidores nos Estados Unidos.
O aumento dos custos, entretanto, continuou pressionando a rentabilidade. A alta do preço do gado superou a valorização da carne, e a unidade apresentou Ebitda ajustado negativo de US$ 100 milhões.
Apesar do resultado negativo, houve melhora frente ao prejuízo operacional de US$ 264 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
A Pilgrim’s Pride, por sua vez, registrou receita de US$ 4,6 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 360 milhões, com margem de 7,8%. A demanda por carne de frango permaneceu firme nos Estados Unidos, na Europa e no México.
Austrália avança 30%
Outras operações internacionais também apresentaram crescimento. A JBS Austrália faturou US$ 2,6 bilhões, alta de 30% na comparação anual. O Ebitda ajustado ficou em US$ 218 milhões, com margem de 8,5%.
Na JBS USA Pork, a receita alcançou US$ 2,1 bilhões. O Ebitda ajustado avançou 38% em relação ao segundo trimestre de 2025 e atingiu US$ 184 milhões, com margem de 8,9%.
No balanço financeiro, o fluxo de caixa livre da JBS ficou positivo em US$ 130 milhões, uma melhora de US$ 185 milhões frente ao mesmo trimestre de 2025. A companhia atribuiu o desempenho, entre outros fatores, às medidas de gestão do capital de giro.
A alavancagem líquida encerrou junho em 3,10 vezes. Já o prazo médio da dívida permaneceu acima de 15 anos, com custo médio de 5,7% ao ano.
Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a receita recorde reflete a diversificação do portfólio da companhia entre mercados, proteínas e marcas. A empresa afirmou que seguirá concentrada em eficiência operacional e na alocação de capital diante das diferentes condições enfrentadas por seus negócios ao redor do mundo.
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