Transição e consumo
Sob pressão do Congresso e do setor elétrico, Governo defende leilões de energia
Por Julia Fernandes Fraga - Em 03/06/2026 às 5:12 PM

Em audiência na terça feira (2) foi anunciado um novo leilão de baterias. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados entrou, na terça-feira (2), no debate sobre o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap 2026). Durante audiência na Casa legislativa, ao defender o certame, o ministro interino de Minas e Energia, Gustavo Cerqueira Ataíde, argumentou que a contratação de reserva energética é necessária para garantir a segurança do abastecimento e sustentar a expansão da matriz elétrica brasileira.
Realizado em março, o leilão prevê a contratação de cerca de R$ 515 bilhões em potência energética até 2031 e se tornou alvo de questionamentos de parlamentares, entidades do setor e órgãos de controle.
Ataíde indicou ainda que o crescimento da demanda exigirá uma combinação de fontes renováveis e termelétricas. Segundo ele, as usinas contratadas funcionarão como suporte ao sistema em momentos de necessidade, permitindo o avanço das energias limpas sem comprometer a confiabilidade da rede.
A avaliação foi reforçada pelo diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, que afirmou haver necessidade de potência adicional para reduzir riscos de déficit energético nos próximos anos.
Conta de luz e competitividade
O principal ponto de divergência continua sendo o custo da contratação. Parlamentares críticos ao modelo apontam que o leilão poderá elevar tarifas e aumentar os custos da indústria. Entre eles, o deputado Danilo Forte (PP-CE) voltou a questionar o volume contratado e os impactos econômicos do certame.
Também foram levantadas dúvidas sobre o reajuste dos preços-teto às vésperas da disputa e sobre a concentração dos contratos vencedores.
Em resposta, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, disse que os encargos passarão a ser compartilhados por todos os usuários do sistema, incluindo grandes consumidores e autoprodutores, reduzindo a concentração dos custos sobre o mercado cativo.
O Ministério de Minas e Energia anunciou, inclusive, a realização de um leilão de baterias ainda em 2026, com o qual se pretende aumentar a capacidade de armazenamento de energia e fortalecer a integração de fontes renováveis à rede elétrica.
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